Sair, divertir-se, conhecer novas pessoas... Tudo isso faz parte de um recomeço, mas não é tão fácil quanto parece. Todo o processo de criar coragem, se arrumar e sair para a night ou uma matinê é longo e lento... Sem falar que sair sozinha não dá, né? Aí vem a necessidade de ter pelo menos uma pessoa para ir com você e a partir daí começa outra história, não é fácil encontrar alguém no mesmo ritmo, ou seja, nem acelerado nem lento, simplesmente na medida certa. Não é todo mundo que aguenta virar duas ou mais noites ou sair só para programações de matinê, tem que se achar um equilíbrio ou ter vários grupos de amizades, um para cada tipo de programação, o que complica ainda mais se você não conhece muita gente.
Digamos que em uma situação hipotética, o processo de conhecer pessoas dê certo e você acaba conhecendo alguém legal. E agora? Como agir? O que fazer? E os amigos nessa hora como é que ficam? E se o carinha legal te ligar no dia seguinte? E se ele não ligar? O dilema adolescente começa como uma coisa divertida, mas o problema é que ele pode se agravar dependendo do nível do trauma vivido e isso deixa de ser um dilema adolescente e passa a ser uma coisa um pouquinho mais grave, um medo de recomeçar, de se aventurar, o medo de se machucar, de sofrer... E se esquece que isso pode ser uma coisa boa, que pode trazer felicidade, que pode ser algo curto e bom ou duradouro e melhor ainda...
Essa coisa de E SE... enche a cabeça de coisas, e é esse E SE... que me faz pensar bastante em várias coisas, a cabeça não para e me sinto um pouco como o desenho do Jimmy Neutron que quando precisa ter uma ideia brilhante começa a ter ideias a mil, começa a pensar em várias coisas ao mesmo tempo em um curto espaço de tempo, a diferença é que ele normalmente chega a uma ideia brilhante e tudo termina bem, comigo não é bem assim as ideias ficam rodando na minha cabeça louca sem saber como parar.
Uma situação hipotética de minha cabeça E SE... Encontrei um carinha legal a gente conversou, trocou telefone e no dia seguinte ele ligou. Qual deve ser a reação? Como não parecer uma carente desesperada? O que posso/devo e não posso/ não devo dizer? E se ele não liga... Devo ou não devo ligar? Até que ponto não vou parecer um louca desesperada para conhecer alguém?
Já me disseram que o negócio é deixar as coisas acontecerem, mas como será que isso funciona? Como é que se faz para que as coisas acontecerem normalemnte? Eu não me lembro disso, não sei como funciona...
Continuando o E SE... ele ligou, saímos juntos... fui tudo muito legal, combinamo de nos encontrar outra vez. Como agir na próxima vez que encontrar ele? E SE... der errado? E SE... eu quebrar a cara? E SE... ele não prestar? E SE..., E SE..., E SE... São várias possibilidades e não tem como prevê o que pode ou não acontecer, mas mesmo assim a cabeça não para nunca.
E SE... (Chico Buarque)
E se o oceano incendiar
E se cair neve no sertão
E se o urubu cocorocar
E se o botafogo for campeão
E se o meu dinheiro não faltar
E se o delegado for gentil
E se tiver bife no jantar
E se o carnaval cair em abril
E se o telefone funcionar
E se o pantanal virar pirão
E se o Pão-de-Açúcar desmanchar
E se tiver sopa pro peão
E se o oceano incendiar
E se o Arapiraca for campeão
E se a meia-noite o sol raiar
E se o meu país for um jardim
E se eu convidá-la para dançar
E se ela ficar assim, assim
E se eu lhe entregar meu coração
E meu coração for um quindim
E se o meu amor gostar então de mim
Não dá para viajar apenas nos E SE's... da vida se não, não haverá vida apenas dúvida e eu decidi viver, mesmo que sob o olhar de "viver é sofrer" mas mesmo assim viver,meu objetivo é ser feliz independente de qualquer coisa, eu prometi que eu seria mais EU e fazer com que a campanha SOS EU valesse à pena.
